Toneladas de lixo são retiradas de praias na República Dominicana

Toneladas de lixo estão sendo retiradas das praias de Santo Domingo, na República Dominicana desde o início de julho. O acúmulo acontece depois que a tempestade subtropical Beryl passou pela região levando o lixo para a costa das praias locais, como a de Montesino.

A ONG Parley, que trabalha com preservação dos oceanos, filmou as “ondas de lixo” no local e classificou a situação como emergencial. Em comunicado, declarou já ter retirado um total de 30 toneladas de plástico em Santo Domingo. Segundo a ONG, garrafas plásticas e caixas de isopor foram encontradas em meio ao lixo.

“A Parley está atualmente no local trabalhando com a marinha, o exército, os funcionários públicos e o governo municipal. Mais de 500 trabalhadores públicos foram mobilizados para a operação e, após três dias de trabalho, as equipes coletaram 30 toneladas de plástico”, diz o comunicado.

O comunicado diz ainda que, até agora, seis toneladas de plástico foram recuperadas para serem transformadas em um material usado para criar novos produtos.

As “ondas de lixo plástico” na praia de Montesinos vêm do rio Ozama, que deságua no Caribe, disse um dos responsáveis ​​pela limpeza, o general Rafael Antonio Carrasco, à Reuters.

Segundo o jornal “The New York Times”, as imagens chocantes não são uma surpresa para as pessoas que moram na República Dominicana. “Acontece praticamente o tempo todo se houver uma chuva forte ou uma tempestade”, disse Cyrill Gutsch, fundador da Parley for the Oceans, em uma entrevista por telefone.

O fenômeno não se limita à República Dominicana, disse ele, e pode ser visto em muitos países em desenvolvimento com litoral.“Todo mundo usa os rios e as praias como locais de despejo”- Cyrill Gutsch, fundador da Parley for the Oceans.

Lixo veio de rio

Até o último dia 12 de julho, todo esse lixo estava pressionando contra a ponte flutuante sobre o rio Ozama, que percorre 148 quilômetros da ilha antes de se esvaziar no Atlântico.

A enorme massa de lixo se acumulou nesse ponto por causa das fortes chuvas da tempestade Beryl, que afetou o território dominicano.

As autoridades que controlam a ponte decidiram abri-la e o lixo acabou nas praias de Fuerte San Gil, Montesinos e Guibia, na costa sul de Santo Domingo.

Segundo a BBC, Domingo Contreras, diretor geral de Programas Especiais da Presidência da República (Digepep) declarou que as autoridades abriram a ponte para evitar que ela fosse danificada.

“Não é apenas sobre plásticos, é sobre troncos e material que o rio arrasta no meio de uma tempestade, a ponte tem uma capacidade de carga, se essa capacidade for ultrapassada, perdemos a ponte”, disse Contreras.

Em entrevista a BBC, a representante da Parley, declarou que o problema está na falta de acesso das comunidades à condições melhores de despejo de lixo e higiene.

“Todos os bairros que vivem rio acima são pessoas muito pobres, muito vulneráveis, que jogam seu lixo atrás de casa, isto é, o rio “, explicou Carmen Chamorro à BBC Mundo.

Estudantes franceses propõem canudos de amido de milho como alternativa ao plástico

Canudos ecológicos são completamente biodegradáveis e somem do meio-ambiente em um prazo entre 6 e 9 meses.

Evolução da poluição em São Paulo é revelada pelas árvores

De acordo com pesquisa da USP e Unicamp, a concentração de elementos químicos em cascas de árvores pode mostrar a variação desses elementos na atmosfera

Ao caminhar ou trafegar pelas vias mais arborizadas de São Paulo há uma grande chance de avistar ou passar ao lado de uma tipuana (Tipuana tipu), árvore de porte avantajado e com copa ampla e densa, a mais comum na cidade.

Originária da Bolívia, a tipuana começou a ser plantada em São Paulo na primeira metade do século 20. Além de prover sombra e uma série de outros benefícios ambientais, também pode revelar a evolução da poluição na cidade.

Pesquisadores do Instituto de Biociências e da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), em colaboração com colegas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), têm utilizado a tipuana como marcadora dos níveis de poluição da cidade por metais pesados e outros elementos químicos.

Ao analisar a composição química dos anéis de crescimento – círculos concêntricos na parte interna do tronco – e de cascas de exemplares da árvore na capital paulista, os pesquisadores constataram redução na poluição por cádmio, cobre, níquel e chumbo na zona oeste de São Paulo nos últimos 30 anos.

Com resultados publicados na revista Environmental Pollution, a pesquisa teve apoio da FAPESP por meio de um Projeto Temático, um Auxílio à Pesquisa – Regular e uma Bolsa de Pós-Doutorado.

Os pesquisadores do IB e da FMUSP começaram a avaliar nos últimos anos a possibilidade de analisar a composição química das cascas e dos anéis de crescimento de árvores a fim de reconstituir os níveis de poluição ambiental de São Paulo no longo prazo. Para isso, três espécies de árvores mais comuns na cidade foram selecionadas: o alfeneiro (Ligustrum sp), a sibipiruna (Caesalpinia pluviosa) e a tipuana.

Essa última, que foi introduzida em São Paulo principalmente pela Companhia City – responsável pela criação de bairros planejados e arborizados na cidade, como o Jardim Europa, Pacaembu e Alto de Pinheiros –, revelou-se a melhor para realizar estudos nessa área, denominada dendroquímica.

“A tipuana se mostrou a melhor espécie de árvore para fazermos análises químicas tanto de seus anéis de crescimento anual como das cascas para avaliar a poluição ambiental da cidade”, disse Giuliano Maselli Locosselli, pós-doutorando no IB-USP e primeiro autor do estudo, à Agência FAPESP.

A árvore, que é uma das que mais caem em São Paulo e por isso começou a ser substituída por espécies nativas, absorve pelas raízes elementos químicos, como metais pesados, presentes na atmosfera e carreados para o solo pela água das chuvas. Esses compostos são transportados junto com a seiva pelos vasos da planta e ficam armazenados em sua madeira, nos anéis de crescimento, à medida que ela cresce.

Cada um desse anéis representa um ano de vida da planta, sendo os maiores os mais recentes e os menores (mais internos) os mais antigos. Ao analisar a composição química, pode-se medir a concentração de metais pesados no solo de um determinado ambiente no ano em que o anel foi formado. E, ao comparar as concentrações dos anéis, avaliar como a presença desses elementos químicos variou em uma escala de décadas.

“Se uma árvore tem 50 anos, por exemplo, ela contará a história da poluição na cidade nesse período”, disse Locosselli.

Já as cascas da tipuana permitem avaliar a concentração de elementos químicos presentes na atmosfera e que se depositaram passivamente nessa parte externa do tronco da árvore.

Ao medir a concentração de elementos químicos – como metais pesados – de amostras de cascas de diversas árvores espalhadas por São Paulo, por exemplo, consegue-se avaliar a variação espacial desses elementos químicos na atmosfera da cidade em escala de anos.

“Como a casca é uma parte mais simples de se obter da planta do que os anéis de crescimento anual e o custo das análises químicas delas também é menor, é possível analisar as cascas de diversas árvores e cobrir uma grande área. Isso permite ver como a poluição por metais pesados e outros elementos químicos se distribui por toda a cidade”, disse Locosselli.

Diminuição da concentração

Os pesquisadores realizaram um estudo inicial em que analisaram a distribuição de cádmio, cobre, mercúrio, níquel, sódio, chumbo e zinco em anéis de duas espécimes de tipuana plantadas no jardim da Faculdade de Medicina da USP, situada na zona oeste da cidade. O objetivo do estudo foi avaliar as mudanças temporais nos níveis de poluição por metais pesados nessa região da cidade.

Para obter amostras dos anéis de crescimento anual das duas árvores, com 35 anos de idade, foi usada uma sonda Pressler, também conhecida como trado de incremento. O instrumento, semelhante à broca de uma furadeira, mas com o interior oco, é capaz de extrair uma amostra cilíndrica do interior da árvore, que mostra todos seus anéis de crescimento anual, da casca até o centro da planta, sem prejudicá-la. “É como se fosse uma biópsia da árvore”, disse Locosselli.

As amostras, de 15 milímetros, dos anéis de crescimento anual das árvores foram encaminhadas para o professor Marco Aurelio Zezzi Arruda, do Instituto de Química da Unicamp. Por meio de uma técnica, chamada ablação a laser acoplada a espectrometria de massas, foi possível escanear e gerar imagens das amostras a partir de um software e analisar a distribuição dos elementos químicos nos anéis de crescimento anual das árvores.

A partir dessas imagens, os pesquisadores definiram quais eram as células de interesse e fizeram análises contínuas de todos os anéis de crescimento anual para determinar as concentrações dos elementos químicos em cada ano de vida das plantas.

As análises dos dados indicaram que houve redução da poluição por cádmio, cobre, níquel e chumbo nas últimas três décadas na região onde estão situadas as espécimes de tipuana analisadas. A redução dos níveis de sódio e zinco foi menos significativa.

“A diminuição dos níveis de chumbo pode ser atribuída à eliminação gradual desse elemento químico na composição da gasolina, enquanto a tendência decrescente da poluição por cádmio, cobre e níquel provavelmente está relacionada ao aumento da eficiência dos veículos e à desindustrialização de São Paulo”, disse Marcos Buckeridge, professor do Instituto de Biociências da USP e um dos autores do estudo, à Agência FAPESP.

O chumbo tetraetila era usado na composição da gasolina comum como aditivo com o intuito de melhorar o desempenho do motor dos automóveis abastecidos com o combustível e reduzir seu desgaste.

A utilização do composto liberava chumbo na fumaça do escapamento dos veículos – o que gerava diversos efeitos danosos à saúde e fez com que o Brasil proibisse o chumbo tetraetila de ser adicionado à gasolina nos veículos terrestres no país a partir de 1988.

Já as maiores fontes de cádmio são a indústria eletroeletrônica, além de pigmentos de esmaltes, tintas têxteis, baterias, fotografia, litografia e pirotecnia, fabricação de plásticos, de semicondutores, células solares, queima de combustível, lixo urbano, tratamento da borracha e galvanoplastia. Por sua vez, o cobre tem como principais fontes de emissão as queimas de resíduos urbanos e industriais, fundições de ligas metálicas e pesticidas.

“Como São Paulo tem passado por período de desindustrialização há algumas décadas, diminuiu a emissão desses elementos químicos. Com isso ocorreu uma redução na concentração desses metais em São Paulo”, disse Locosselli.

Bitucas de cigarro, tampas de garrafa, canudinhos: os 10 itens mais encontrados nas praias do Brasil pela ONU

ONU Meio Ambiente realizou a campanha #MaresLimpos, que reuniu voluntários em ações de limpeza pelo país. Eles apresentaram um resumo do que foi encontrado no litoral de 10 estados brasileiros.

ONU Meio Ambiente recolheu 49.994 bitucas de cigarro no litoral do Brasil — Foto: sulox32/Pixabay

ONU Meio Ambiente recolheu 49.994 bitucas de cigarro no litoral do Brasil — Foto: sulox32/Pixabay

Foram mais de 23,7 toneladas de resíduos recolhidos por 2,8 mil voluntários mobilizados pela Organização das Nações Unidas (ONU) Meio Ambiente no Brasil. Foram 124 km percorridos em praias de 10 estados brasileiros.

O projeto é uma mobilização da organização internacional no país. A campanha se chama #MaresLimpos e cria ações de limpeza no litoral do Brasil. Veja os resíduos recolhidos em maior quantidade na primeira parte da operação, em 2017:

  1. 49.994 bitucas de cigarro
  2. 9.938 garrafas pet
  3. 9.938 canudos
  4. 7.041 garrafas plásticas
  5. 6.782 sacolas plásticas
  6. 5.590 embalagens plásticas
  7. 4.840 copos e pratos plásticos
  8. 2.409 garrafas de vidro
  9. 2.100 pedaços de isopor
  10. 1.313 talheres plásticos

O material foi recolhido por grupos de Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e Tocantins.

O resultado mostra que os produtos encontrados são majoritariamente de plástico. A ONU Meio Ambiente lembra que entre 60% e 90% do lixo encontrado nos mares é composto por diferentes tipos de plásticos, em diferentes tamanhos e estágios de degradação. Algumas estimativas apontam que em 2050 teremos mais plásticos do que peixes e que 99% das aves marinhas terão ingerido o material.

Sobre o produto mais encontrado, as bitucas de cigarro, além de poluir o oceano, é o principal causador do câncer que mais mata no mundo: o de pulmão. Um relatório da Organização Mundial da Saúde mostra que, apenas neste ano, morrerão 9,6 milhões de pessoas devido à doença.

Os tesouros que o aquecimento global destruirá.

Se a memória se perder, a história será um relato vazio. Restarão palavras soltas, fios desconexos. A mudança climática ameaça o patrimônio cultural do mundo. Compromete a lembrança e sua narrativa. Nada parece estar a salvo. Sítios arqueológicos, itens enterrados, restos de naufrágios, cidades, cemitérios, castelos, templos. A lista dos lugares em perigo é um catálogo que exibe a potencial destruição cultural do planeta. Mas o terrível é que o ser humano não poderá salvar todos eles. Centenas, talvez milhares, serão perdidos. O homem, então, deverá decidir o que abandonar para sempre e o que conservar. E sozinho, frente a si mesmo, avaliará as consequências de seus atos. “Quando uma localização se perde, a memória do lugar e da gente que lá viveu começa a se desvanecer”, argumenta a arqueóloga norte-americana Sarah Miller.

Esse fadeout, essa memória vazia, foi precipitado pelo aquecimento global. Talvez o grande medo com o qual o planeta convive. Porque é cada vez mais frequente e devastador. Basta folhear a hemeroteca. O fogo que abrasou parte da Europa em 2008 pôs em perigo o espaço arqueológico de Olímpia (Grécia); dois anos mais tarde, inundações, de novo na Europa ocidental, atingiram Roma, e durante 2013 uma onda de chuvas torrenciais destruiu parte do legado histórico do Estado indiano de Uttarakhand. Todas essas catástrofes foram geradas pela mudança climática. “A ameaça contra o patrimônio do planeta é muito séria”, admite Peter Debrine, assessor do Programa Mundial para o Patrimônio da Humanidade, da Unesco. “Os locais marinhos e próximos às costas são particularmente vulneráveis à elevação do nível dos mares, à erosão e ao aumento da temperatura da água”.

Templos egípcios

Mas não só a água fere, às vezes até a areia mata. No Egito, o templo de Nadura, dentro do oásis de El Kharga, está cada vez mais próximo de se tornar – verdadeiramente – uma ruína. As altas temperaturas, os fortes ventos e a abrasão deterioraram quase metade de sua estrutura. “Se a perda continuar nesse ritmo, as inscrições, os símbolos e os hieróglifos desaparecerão completamente em 2150”, advertiu em uma entrevista recente Hossam Ismael, professor de climatologia da Universidade de Assiut (Egipto).

Quando o ser humano se desentende simultaneamente com a temperatura, a água e a terra, o resultado é devastador. Apenas na Flórida a elevação do nível do mar em dois metros – que alguns estudos preveem para dentro de um ou dois séculos – afetaria 35.000 espaços que fazem parte do seu patrimônio cultural e um número semelhante estaria em risco por causa de tempestades marinhas e furacões. O detalhamento dessa cifra mostra a extensão do problema: 4.000 sítios arqueológicos, 800 cemitérios históricos e 30.000 estruturas e edifícios. Mas se mergulhamos nessas águas, veremos que a alteração do clima também afeta outros tesouros submarinos. “Muita gente acredita que, como os naufrágios ou os sítios arqueológicos já estão submersos, não serão afetados pelo aquecimento global. Mas o aumento da temperatura do oceano incrementa a salinidade e a migração dos pastos marinhos que estabilizam os sítios arqueológicos”, descreve Sarah Miller. Além disso, vários naufrágios que aconteceram na Flórida correm o risco de se perder. Por exemplo, os restos da frota capitaneada em 1559 por Tristán de Luna em Pensacola, ou o navio de guerra francês La Trinidad, que afundou em 1565, em Cabo Canaveral.

As áreas costeiras

Mas se o passado foi uma tragédia, o futuro é um assassinato. David Anderson, professor de Antropologia da Universidade do Tennessee, publicou um ensaio que prevê o desaparecimento de 20.000 sítios arqueológicos em nove Estados do sudoeste dos Estados Unidos. É apenas uma espera de tempo e espaço. Isso acontecerá no que resta de século e com um aumento de apenas um metro do nível do mar. Se levarmos essas estimativas à escala global, a magnitude do dano se revela. “Se as projeções estiverem corretas, podemos perder nos próximos anos uma grande parte do registro arqueológico e histórico da vida humana em áreas costeiras e será necessário, é claro, realojar um grande número de pessoas que vivem nessas regiões”, prevê David Anderson. Isso afetará os vivos e os mortos. Cerca de 7.000 cemitérios em 15 Estados podem ser inundados por essas águas em ascensão.

Turistas na praça de São Marcos, em Veneza, durante as inundações causadas pela ‘acqua alta’.© Fornecido por El Pais Brasil Turistas na praça de São Marcos, em Veneza, durante as inundações causadas pela ‘acqua alta’.

A paisagem é uma neblina e essa escuridão se estende da Europa à Mongólia. “No Velho Continente, o patrimônio mais afetado por episódios de chuvas intensas são os edifícios históricos de madeira que fazem parte da essência da arquitetura escandinava, centro-europeia e da Europa de Leste”, avalia May Cassar, professora de patrimônio e sustentabilidade do University College de Londres. Longe da Europa, nas terras outrora conquistadas por Genghis Khan, a mudança climática se juntou ao saque para ameaçar a identidade da Mongólia. O agravamento das condições climáticas encurralou as populações nômades. Com a diminuição de seus recursos ancestrais, muitos recorrem à pilhagem de milhares de enterros antigos que estão espalhados pela estepe. São simples círculos de pedra que, quase sempre, contêm corpos humanos e ossos de animais. Mas outros, mais raros, escondem joias, pedras preciosas e ouro.

Ninguém está a salvo da rapina ou da mudança climática. Na Ilha de Páscoa (Chile) os moais milenares (1500-1250 a. C.) começam a claudicar devido à erosão costeira e às inundações, a Estátua da Liberdade (Nova York) teve sua pele de cobre açoitada pelo furacão Sandy e Veneza está enclausurada há anos entre a opressão dos turistas e o fenômeno da acqua alta. E o que será da Espanha? “Sua vulnerabilidade vive unida à falta de chuvas e à desertificação”, adverte Peter Debrine. Isso foi sentido nos Parques Nacionais de Doñana e de Tablas de Daimiel; foi sentido na fragilidade criada pela irresponsabilidade do homem.

Toupeiras colocam Stonehenge em perigo

Monumento neolítico de Stonehenge.© Fornecido por El Pais Brasil Monumento neolítico de Stonehenge.Toupeiras e coelhos se tornaram o principal inimigo de Stonehenge, o famoso monumento neolítico do Reino Unido. O aumento da temperatura no inverno atraiu esses animais, e sua compulsão por escavar túneis ameaça a estabilidade da estrutura. Não é uma anedota, mas um sinal de alerta. O organismo público Historic Environment Scotland (HES), que supervisiona os 340 castelos, abadias, ruínas e sítios neolíticos mais importantes da Escócia, identificou 28 áreas de tal fragilidade que estão “sofrendo um nível de risco inaceitável”. Uma preocupação que veio para ficar nessas terras. “No Reino Unido, a mudança climática já afeta edifícios, enterros arqueológicos e o entorno meio ambiental de parques e jardins de importância histórica”, diz Tony Weighell, assessor do Governo britânico para essas questões. Essa natureza ameaçada é a mesma que os países prometeram proteger. “O fato de que esses lugares excepcionais estejam cada vez mais afetados pela mudança climática não só indica a gravidade do problema, mas também o que está em jogo, se os Governos não tomarem medidas em nível mundial”, alerta Peter Shadie, assessor do Programa Patrimônio Mundial da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). A cultura e a memória se queixam, o ser humano as ignora.

Brasil tem quase 3 mil lixões em 1.600 cidades

Prazo para que todos os municípios dessem destino correto ao lixo venceu há 4 anos, de acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos

O Brasil tem quase 3 mil lixões funcionando em 1.600 cidades, segundo relatório da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe). Por lei, todos os lixões do Brasil deveriam ter sido fechados até 2014, prazo dado pela Política Nacional dos Resíduos Sólidos.

O levantamento da Abrelpe mostra que, de 2016 para 2017, o despejo inadequado do lixo aumentou 3%. A produção de lixo no Brasil também aumentou no ano passado. Cada brasileiro gerou 378 kg de resíduos no ano, um volume que daria para cobrir um campo e meio de futebol.

Junto com esse aumento do lixo produzido, também subiu a quantidade de resíduos que vão parar em lixões, com impactos negativos para o meio ambiente e para a saúde pública. Estudo afirma que o país gasta R$ 3 bilhões por ano com o tratamento de saúde de pessoas que ficaram doentes por causa da contaminação provocada pelos lixões.

“Os impactos dos lixões, que contaminam a água, contaminam o solo e poluem o ar, afetam diretamente a saúde de 95 milhões de pessoas, sejam as que vivem no entorno desses lixões, muito próximos, ou aquelas que consomem ou a água ou os alimentos produzidos nessas áreas que estão contaminadas, trazendo uma série de problemas de saúde”, afirma Carlos Silva Filho, diretor-presidente da Abrelpe.

Segundo os dados da Abrelpe, 90% das cidades brasileiras têm coleta de lixo, mas só 59% usam aterros adequados.

O Ministério do Meio Ambiente disse que o maior impedimento para tratar o lixo é a falta de recursos dos municípios e sugere medidas como a cobrança de uma taxa de lixo, o agrupamento das cidades em consórcios para ratear as despesas.

Disse ainda que existem ações previstas para ajudar os municípios nos Ministérios da Saúde e das Cidades, mas não há perspectivas de que os recursos federais sejam suficientes para suprir as demandas.

Dados do IBGE

Quase metade das 5.570 cidades brasileiras não tem atualmente um plano integrado para o manejo do lixo, segundo o Perfil dos Municípios Brasileiros (Munic 2017), divulgado Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em julho deste ano.

Segundo a legislação brasileira, o plano integrado tem 19 itens obrigatórios que incluem metas de redução da quantidade de rejeitos por meio de reciclagem e reutilização de materiais, diagnóstico da situação dos resíduos sólidos no município, além de regras para transporte e outras etapas do gerenciamento do lixo e limpeza urbana.

O estudo do IBGE apontou que a existência de um plano é mais frequente nas cidades mais populosas. Nos municípios com mais de 500 mil habitantes, 83,3% possuem um plano de manejo do lixo. Naquelas entre 5.001 e 10 mil habitantes, são 49,1%.

Em uma análise por população, o IBGE identificou que nas cidades com mais de 50 mil habitantes, em termos relativos, ocorrem mais impactos ambientais causados por falta de saneamento básico e destinação inadequada de esgoto doméstico.

Crivella regulamenta lei que obriga bares e restaurantes a oferecerem canudos de material reciclável ou biodegradável no Rio

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, regulamentou a lei que obriga os bares e restaurantes da cidade a oferecer canudos de material biodegradável ou reciclável. A lei havia sido sancionada no dia 5 de julho, mas foi regulamentada na edição desta quarta-feira (18) do Diário Oficial.

Os canudos devem ser oferecidos em papel biodegradável ou reciclável em embalagens individuais e hermeticamente fechadas. O invólucro também deve ser feito com os mesmos materiais.

Estes canudos devem ser feitos sem o uso de matérias-primas que possuam em sua composição elementos contaminantes, sejam químicos ou biológicos. Além disso, também, devem ser protegidos contra contaminação também durante o processo de fabricação.

Caberá à Subsecretaria de Vigilância, Fiscalização Sanitária e Controle de Zoonoses (Subvisa) a fiscalização quanto ao cumprimento das normas e também fazer coletas periódicas de amostras, que serão levadas ao Laboratório Municipal de Saúde Pública para análise.

Ainda de acordo com a lei, os resíduos sólidos produzidos por estes estabelecimentos devem ser separados para reciclagem.

Quem descumprir a medida está sujeito à multa de R$ 3 mil. Em caso de reincidência, as multas serão de R$ 6 mil.

A Prefeitura ainda não definiu o prazo que a lei entrará em vigor.

Mutirão de limpeza recolhe de sacola plástica a aparelho de telefone na Praia Vermelha, Zona Sul do Rio

Grupos se dividiram na faixa de areia e mergulhadores e pessoas de stand paddle fizeram a limpeza no mar. Dos 30 kg de lixo recolhidos, 7 kg estavam na água.

Um mutirão de limpeza realizado na Praia Vermelha, Zona Sul do Rio, na manhã deste domingo (16), retirou cerca de 30 kg de lixo na areia e no mar. Entre o material coletado havia até aparelho de telefone fixo.

Grupos se dividiram na faixa de areia e mergulhadores e pessoas de stand paddle fizeram a limpeza no mar. Do total de lixo coletado, 7 kg estavam na água. Foram encontrados os mais diversos tipos de objetos, como escova de dente, celular, aparelho de telefone fixo, vários brinquedos, material de construção, chaves de fenda, velas de ignição de carro usadas como chumbada para pesca, linhas de pesca e sacolas plásticas.

Participaram da ação equipes do projeto Meros do Brasil, projeto Verde Mar, Secretaria de Meio Ambiente, projeto Standupet (stand up paddle), Monumento Natural dos Morros do Pão de Açúcar e da Urca e do Laboratório de Mamíferos Aquáticos e Bioindicadores do Departamento de Oceanografia da Uerj.

Mutirão de limpeza recolhe lixo na Praia Vermelha

De acordo com os organizadores do mutirão, setembro foi escolhido como o mês internacional dos mutirões de limpeza de praia. O objetivo das ações é conscientizar a sociedade sobre o descarte irregular de resíduos sólidos urbanos que vão parar nos rios e oceanos.

No sábado (15), voluntários participaram da campanha Mares Limpos, da ONU/Meio Ambiente, em praias de vários estados do país. No Rio, grupos de limpeza vão percorreram a orla da Zona Sul para recolher o lixo da areia e deixar uma mensagem importante: se continuarmos com o descarte irregular, em poucos anos os oceanos terão mais plásticos do que peixes.

Voluntários participam de mutirão para limpeza da Praia Vermelha, na Urca, Zona Sul do Rio — Foto: DivulgaçãoVoluntários participam de mutirão para limpeza da Praia Vermelha, na Urca, Zona Sul do Rio — Foto: Divulgação

Voluntários participam de mutirão para limpeza da Praia Vermelha, na Urca, Zona Sul do Rio — Foto: Divulgação

Voluntários encontraram até mesmo um aparelho de telefone fixo em meio ao lixo recolhido na Praia Vermelha  — Foto: Divulgação/Projeto Meros do BrasilVoluntários encontraram até mesmo um aparelho de telefone fixo em meio ao lixo recolhido na Praia Vermelha  — Foto: Divulgação/Projeto Meros do Brasil

Voluntários encontraram até mesmo um aparelho de telefone fixo em meio ao lixo recolhido na Praia Vermelha — Foto: Divulgação/Projeto Meros do Brasil

Voluntários separam o lixo recolhido na Praia Vermelha — Foto: Divulgação/Projeto Meros do BrasilVoluntários separam o lixo recolhido na Praia Vermelha — Foto: Divulgação/Projeto Meros do Brasil

Voluntários separam o lixo recolhido na Praia Vermelha — Foto: Divulgação/Projeto Meros do Brasil

Empresa que não coletar embalagem ficará sem licenciamento ambiental em SP

Empresa que não coletar embalagem ficará sem licenciamento ambiental em SP Em outubro, estado passará a exigir que companhias façam logística reversa.

Cerca de 20 mil empresas de São Paulo não informam à Cetesb (companhia ambiental do estado) se têm uma operação de logística reversa, o que pode gerar problemas a partir de outubro deste ano. Uma regra, que passará a valer em um mês, vai condicionar a obtenção de licença ambiental por uma empresa a informações sobre a coleta do lixo resultante de seus produtos ou embalagens e à sua destinação correta. A obrigação de ter um plano de logística reversa existe desde 2010, mas São Paulo será o primeiro estado a penalizar quem não a cumpre.

De cerca de 30 mil companhias que atuam em São Paulo com esse perfil, apenas aproximadamente 10 mil informaram à Cetesb sobre suas operações. “Essas empresas não devem necessariamente mostrar seu plano em outubro, mas, sim, no momento em que forem renovar sua licença”, afirma Fernanda Stefanelo, advogada ambiental do Demarest.

Não está claro qual será a pena para as que não conseguirem fazer isso, diz Werner Grau, sócio do Pinheiro Neto. “Empreendimentos que estão no estado há décadas não vão poder existir?” A expectativa é que haja uma progressão de penalidade: advertência, multa, embargo e suspensão de atividades, segundo o advogado. Algumas das exigências que a Cetesb impôs, como a obrigatoriedade de recolhimento de resíduos derivados de produtos como pilhas e óleo lubrificante em todos os municípios do estado, não são exequíveis de imediato, diz. “A Cetesb precisa criar regras de transição. Se não houver prazos e metas factíveis, chegaremos a um ponto de ruptura, e o cenário de briga na Justiça é o pior possível”, acrescenta Grau. Resíduos que devem ser coletados após o consumo

Recipientes para resíduos de serviços de saúde perfurantes ou cortantes

A ABNT publicou a norma ABNT NBR 13853-1:2018 – Recipientes para resíduos de serviços de saúde perfurantes ou cortantes – Requisitos e métodos de ensaio – Parte 1: Recipientes descartáveis, elaborada pela Comissão de Estudo Especial de Resíduos de Serviços de Saúde (ABNT/CEE-129).

Esta Norma estabelece os requisitos para os recipientes descartáveis destinados ao acondicionamento de resíduos de serviços de saúde perfurantes ou cortantes, classificados conforme a ABNT NBR 12808, para sua coleta e encaminhamento a tratamento.

Para mais detalhes sobre a publicação contate a SIR Company