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China é o maior importador global de plástico e papelão para reciclagem, mas essa demanda está prestes a acabar

Uma parte considerável do lixo mundial vai parar na China, o principal importador mundial de muitos tipos de materiais para reciclagem, como plástico, papel e metais. Com uma demanda cada vez maior por produtos plásticos e de papelão, o país busca material tanto internamente quanto no mercado internacional.

Segundo dados das Nações Unidas, fabricantes chineses e de Hong Kong importaram 7,3 milhões de toneladas de plástico para reciclagem em 2016. O material veio principalmente de países ricos, como Japão, EUA e nações da União Europeia, e equivale a 70% de todo o plástico descartado no mundo naquele ano.

O Brasil também contribuiu com uma pequena parte deste total – em 2017, o país vendeu para a China 25,3 mil toneladas de papéis para reciclagem. Também despachou para o país asiático 14,6 mil toneladas de resíduos e restos de metais para reciclagem, principalmente cobre (12,3 mil toneladas), alumínio e aço. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), levantados a pedido da BBC Brasil.

Esse fluxo, entretanto, deve mudar a partir deste ano, já que a China decidiu deixar de receber boa parte desse material. Segundo Pequim, o objetivo é proteger o meio ambiente do país do “lixo ‘sujo’ e, inclusive, perigoso” que hoje chega ali. As autoridades também dizem que a produção nacional de lixo reciclável já é suficiente para atender a demanda da indústria local.

Proibição e pânico

Em julho passado, o governo chinês anunciou a proibição (a partir de 2018) da importação de certos tipos de materiais para reciclagem – o que preocupou vários países do mundo.

A medida incluiu novas regras sobre os tipos de materiais recicláveis que poderiam ser importados pelo país, que entrariam em vigor no último dia 1º, e notificar a Organização Mundial do Comércio (OMC) de que baniu a entrada no país de 24 categorias de materiais e de despejos sólidos.

A campanha do governo mira no que os chineses chamam de yang laji, o “lixo estrangeiro”: plásticos recicláveis, rejeitos têxteis e certos tipo de papel.

O país asiático continuará importando papelão, por exemplo. Mas deverá ser “muito mais limpo” que o atual, e livre de resíduos como terra, poeira e pedregulhos.

Diante do pânico global provocado pelo anúncio, a OMC e os países exportadores apelaram à China para que adiasse a proibição e abrisse a possibilidade de um “período de transição” de cinco anos.

De acordo com o site especializado Chinadialogue.com, as negociações continuam – Pequim concordou, por exemplo, em adiar o começo das novas regras até o dia 1º de março.

“A indústria (de materiais recicláveis) não estava preparada para o súbito anúncio do governo chinês em julho, de proibição total das importações de papel mesclado (com diferentes tipos de fibras e cores) e uma redução do máximo permitido de materiais contaminados a 0,3% de cada lote”, diz reportagem do Chinadialogue.com.

Dependência

Os temores provocados pelo anúncio de Pequim refletem a dependência mundial da China para o manejo do lixo.

Segundo dados da ONU, o comércio desses produtos com a China e Hong Kong movimentou US$ 21,6 bilhões no ano passado.

União Europeia e Estados Unidos são os principais exportadores.

Só esses últimos exportaram para a China 13,2 milhões de toneladas de papel para reciclagem e 1,4 milhão de toneladas de plástico no ano passado.

Grande parte do papel e do papelão importado pela China se transforma em caixas para embalar produtos – tanto os vendidos no país quanto os exportados.

As empresas dos países exportadores, como era de esperar, enfrentam agora o desafio de encontrar o que fazer com o material quando a proibição começar a vigorar.

Tanto a indústria de reciclagem quanto os governos dos países ricos estão sob enorme pressão, uma vez que a coleta deste tipo de lixo pode deixar de ser economicamente viável.

Em dezembro, o ministro britânico do Meio Ambiente, Michael Gove, admitiu em uma sessão do Parlamento que não sabia qual seria o tamanho do impacto da proibição chinesa nas empresas do Reino Unido. Em 2016, o país exportou 400 mil toneladas de resíduos plásticos para a China.

Alternativas

O que acontecerá então com a montanha de lixo reciclável que a China deixará de receber?

Segundo o Escritório Internacional de Reciclagem (BIR, na sigla em inglês), organização sediada em Bruxelas e que representa a indústria em nível global, novos mercados para esses produtos estão sendo buscados. Países como Tailândia, Vietnã, Camboja, Malásia, Índia e Paquistão são possíveis destinos para o lixo reciclável.

“Esses países já estão posicionados no mercado, mas certamente não têm a mesma capacidade que a China”, disse o diretor-geral do BIR, Arnaud Brunet, à revista especializada Recycling International.

Ele acrescenta que as leis e regulamentações desses países não são tão desenvolvidas quanto as chinesas.

Brunet diz que o ano de 2018 será “decisivo” para a indústria de reciclagem.

“O que eu sinto é que não haverá retrocessos, que nossa indústria tem que se adaptar, seguir as regras e encontrar opções alternativas para o longo prazo”, diz ele.

Essas alternativas poderiam incluir a queima de materiais para a geração de energia, ou a disposição em aterros sanitários. Essa última opção é menos adequada, já que esses materiais podem provocar incêndios.

Especialistas dizem que as medidas de Pequim poderiam ser um “ponto de inflexão” na nossa relação com esses materiais e na forma como os utilizamos.

Segundo eles, os desafios enfrentados agora pelos países que dependem da China para resolver seus problemas ambientais oferecem uma oportunidade para se pensar em novos programas de reciclagem e novas formas de utilizar as toneladas de produtos plásticos e de papel que são descartadas hoje.

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Ministério discute acordo de logística reversa

Segunda fase do acordo setorial voltado para embalagens em geral terá início neste semestre. Mais de 20 associações estão envolvidas.

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) convidou associações para discutir a 2ª fase do Acordo Setorial de Logística Reversa de Embalagens em Geral, com previsão de início neste semestre. Com o acordo, firmado em novembro de 2015, fabricantes, importadores, comerciantes e distribuidores se comprometem a trabalhar de forma conjunta para garantir a destinação final ambientalmente adequada das embalagens que colocam no mercado.

A reunião, realizada nessa terça-feira (16/01), em Brasília, contou com a participação de representantes da Coalizão Embalagens, iniciativa com 22 entidades que reúnem centenas de empresas. A logística reversa é um instrumento de desenvolvimento econômico previsto na Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010).

O secretário de Recursos Hídricos e Qualidade Ambiental do MMA, Jair Tannús Júnior, ressaltou que, neste momento, “é de extrema importância a oportunidade de refletir, discutir e aperfeiçoar alguns pontos para a segunda fase”. A primeira fase teve duração de 24 meses.

COOPERATIVAS

Sobre os resultados da primeira fase, os participantes destacaram o apoio às cooperativas de catadores, que estão aumentando a capacidade de triagem com melhorias nos equipamentos, na capacitação e na formalização de várias cooperativas.

Para a segunda fase, os participantes destacaram a necessidade de reforçar a comunicação com a sociedade e a articulação com os municípios. Um grupo será formado para estabelecer as estratégias de aproximação com os municípios.

A diretora de Qualidade Ambiental e Gestão de Resíduos do Ministério, Zilda Veloso, citou a iniciativa do MMA de criação de um fórum para discussão da Política Nacional de Resíduos Sólidos com gestores estaduais, no qual um dos pontos seria o monitoramento e a fiscalização dos sistemas de logística reversa.

EMPRESAS

O representante da Associação de Logística Reversa de Embalagens (Aslore), Ailton Luiz Storolli, relatou que são identificadas melhorias na implementação da logística reversa a cada semestre. “Estamos padronizando as ações, e a procura pela associação só vem crescendo. As empresas não se abstêm de cumprir as tarefas”, disse. A Aslore é um braço da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) e reúne cerca de 60 empresas.

Além dos representantes da Coalização Embalagens, estavam presentes na reunião a diretora substituta de Qualidade Ambiental do MMA, Sabrina Andrade; o diretor de Recursos Hídricos, Sérgio Gonçalves; e as equipes técnicas do Ministério, além do secretário Jair Tannús e da diretora Zilda Veloso.

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Flex do Brasil destina 100% dos resíduos gerados para reciclagem

A quantidade de resíduos gerados em uma linha de produção industrial se torna um grande problema ambiental se o descarte for feito de maneira incorreta. Na melhor das hipóteses, seguirá para um dos já abarrotados aterros sanitários do país. Na pior, para córregos ou terrenos baldios. A Flex do Brasil, fabricante de colchões de mola, que tem na sua Governança Corporativa o compromisso com a sustentabilidade e meio ambiente, cuida para que 100% de sua produção residual seja destinada para a reciclagem.

Um trabalho diário de separação, acondicionamento e transporte de espumas, tecidos, madeira, metais, plástico e papelão, resulta em cerca de 22 toneladas mensais desses materiais, que são transferidos para 20 empresas que os reaproveitam. “Existe o envolvimento de todos os funcionários da fábrica em separar os tipos de materiais e colocá-los em pontos estratégicos para que uma companhia terceirizada parceira os recolha e os leve a diversas empresas que reaproveitam tudo”, relata Wilson Fontanezi, diretor de Operações da Flex.

O diretor de Operações destaca ainda que esse processo implementado é completamente sustentável também do ponto de vista econômico, uma vez que a Flex é remunerada pela empresa parceira a partir do material recolhido. “A ideia sempre foi essa, o objetivo não é ter lucro com essa operação, mas o equilíbrio econômico torna-se importante para manter sua perenidade e o compromisso com a sustentabilidade”, afirmou.

A Flex do Brasil faz parte do Flex BeddingGroup, com sede na Espanha e que opera em países como Chile, Portugal, EUA, Reino Unido e Cuba. No Brasil é fabricante e detentora das marcas de colchões Simmons, Flex, Epeda e Aireloom, com produção anual de 150 mil unidades e cerca de 200 funcionários.

Sobre o Grupo Flex
A Flex do Brasil é uma empresa especializada na fabricação de colchões e comercializa as seguintes marcas: Simmons, Flex, Epeda e Aireloom. 100% dos seus colchões têm certificação do Inmetro, o que atesta a qualidade dos seus produtos, proporcionando aos consumidores mais saúde através de um sono reparador. Membro do Flex BeddingGroup, de origem espanhola, a Flex do Brasil iniciou suas atividades no país em 2000 e hoje possui fábrica em Limeira, interior do Estado de SP. O Flex BeddingGroup opera em sete países: EUA, Chile, Portugal, Espanha, Reino Unido. Brasil e Cuba, atendendo a grandes redes varejistas como Carrefour, Macy’s, Bloomingdales, El Corte Inglés, Harrods, entre outros, além de atender também as maiores redes de hotéis no Brasil e no mundo. O grupo tem mais de 100 anos de história, é líder de vendas na Espanha e está entre os 10 maiores do mundo na fabricação de colchões, camas articuladas, edredons, travesseiros, roupas de cama e mobiliários para dormitórios.

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Projeto de Lei que cria a Política Nacional de Biocombustíveis agora vai para sanção presidencial. Incentivo contribui para a redução de emissões.

O Senado Federal aprovou, nesta terça-feira (12/12), o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 160/2017, que cria a Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio). A iniciativa contribui para o cumprimento, pelo Brasil, do Acordo de Paris sobre mudança do clima. São biocombustíveis o etanol e o biodisel, por exemplo, produzidos a partir do bagaço da cana-de-açúcar. A proposta, agora, segue para sanção presidencial.

O RenovaBio cria uma política de Estado para reconhecer o papel estratégico de todos os tipos de biocombustíveis na matriz de energia nacional, tanto para a segurança energética quanto para redução de emissões de gases causadores do efeito estufa.

O PLC é de autoria do deputado Evandro Gussi (PV-SP), a partir de uma proposta elaborada pelo Ministério de Meio Ambiente, em parceria com o Ministério de Minas e Energia, o setor privado e a sociedade civil.

EFICIÊNCIA

Segundo dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP), a produção total de etanol no Brasil em 2016 foi de 28 bilhões de litros e a de biodiesel, 3,8 bilhões. O Brasil é o segundo maior produtor mundial de biocombustíveis.

Entre os objetivos do RenovaBio, além do cumprimento das metas do Acordo de Paris, estão a eficiência energética e a redução nas emissões de gases, o aumento da produção e o uso de biocombustíveis, além competitividade dessas fontes no mercado nacional. O Brasil é o segundo maior produtor mundial de biocombustíveis.

O Projeto de Lei propõe a utilização de Crédito de Descarbonização de Biocombustíveis (CBIO), concedidos a produtoras de biocombustível de acordo com a proporção de energia limpa por elas produzida. Quanto maior essa proporção, mais créditos a empresa terá. Os créditos serão negociados na bolsa de valores e comprados por setores que precisem deles como contrapartida pela emissão de carbono de suas próprias produções.

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Fundo divulga os 11 projetos selecionados por meio do edital que apoiará a segregação na fonte e a compostagem de resíduos em municípios.

O Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA) divulgou os projetos selecionados por meio de edital que apoiará a compostagem em municípios e consórcios intermunicipais que atuem na gestão de resíduos sólidos. Ao todo, 11 propostas foram selecionadas nos estados de Santa Catarina, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande de Sul.

  • Prefeitura Municipal de Lages SC 1° titular
  • Prefeitura Municipal de Florianópolis SC 2° titular
  • Prefeitura Municipal de Santos SP 3° titular
  • Prefeitura Municipal Rancho Queimado SC 4° titular
  • Prefeitura Municipal de Maracaju MS 5° titular
  • Prefeitura Municipal de Sertãozinho SP 6° titular
  • Consórcio do Complexo Nascentes do Pantanal MT 7° titular
  • Prefeitura Municipal de Igarapé MG 8° titular
  • Prefeitura Municipal de Palotina PR 9° titular
  • Prefeitura Municipal de Herval RS 10° titular
  • Prefeitura Municipal de Tacuru MS 11° titular
  • Prefeitura Municipal de Marabá PA 1° Suplente
  • Prefeitura Municipal da Estância Turística de Joanópolis SP 2° Suplente
  • Prefeitura Municipal de Ituiutaba MG 3° Suplente
  • Prefeitura Municipal de Vespasiano MG 4° Suplente

Por meio de parceira com o Fundo Socioambiental da Caixa, o edital destinará um total de R$ 10 milhões para projetos no valor mínimo de R$ 500 mil e máximo de até R$ 1 milhão. O Fundo recebeu um total de 324 propostas vindas de todo o país. Após a análise de todas elas, os projetos foram selecionados com base nos critérios e requisitos estabelecidos no edital lançado em setembro.

Os projetos serão executados em dois anos e servirão como ações demonstrativas para que outras prefeituras e demais interessados possam conhecê-las. “Esses projetos representam iniciativas que poderão ser replicadas futuramente”, destacou Luiz Mochel, diretor do Departamento do Fundo Nacional do Meio Ambiente do MMA.

SOLUÇÕES

A compostagem é uma alternativa tecnológica de reciclagem de resíduos orgânicos. Com ela, é possível reduzir em até 50% a quantidade de resíduos que vão para os aterros sanitários. Para Mochel, projetos voltados para essa área são fundamentais para o desenvolvimento das cidades. “São formas de transformar o problema dos resíduos em soluções, de transformar o que sobra em um produto que pode ser usado de forma ambientalmente e socialmente correta”, avaliou o diretor.

Ainda pouco explorada no país, a compostagem é um processo relativamente simples e com vasta gama de aplicações. Desde a escala domiciliar até a escala industrial, são diversas as possibilidades de políticas públicas que promovam esta prática e reduzam a quantidade de resíduos orgânicos enviados para disposição final.

A segregação na fonte dos resíduos em três frações (orgânicos, recicláveis secos e rejeitos) tem se mostrado uma prática de gestão eficiente para garantir a produção de composto de boa qualidade, boa aceitação por agricultores e baixíssimo risco de contaminação. A associação da prática de compostagem com a promoção do uso do composto, em projetos de agricultura urbana e periurbana ou de apoio à agricultura familiar, também é exemplo de sucesso na garantia da continuidade desta prática, fechando o ciclo da gestão dos resíduos orgânicos.

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Cinco gráficos que explicam como a poluição por plástico ameaça a vida na Terra

A vida marinha corre o risco de sofrer danos irreparáveis em decorrência de milhões de toneladas de resíduos de plástico que vão parar no mar todos os anos.

“É uma crise planetária. Estamos acabando com o ecossistema oceânico”, afirmou à BBC Lisa Svensson, diretora de oceanos do programa da ONU para o Meio Ambiente.

Diante do alerta, a BBC preparou cinco gráficos para explicar como o plástico se transformou em uma ameaça ao meio ambiente e mostrar a dimensão do estrago que ele pode causar ao ser descartado no oceano.

Por que o plástico é problemático?

O plástico da forma que conhecemos existe há cerca de 70 anos. E, desde então, o uso desse material tem transformado muitas áreas – da confecção de roupas à culinária, passando pela engenharia, design e até o comércio varejista.

Quanto plástico está espalhado pela Terra? (Foto: BBC)

Quanto plástico está espalhado pela Terra? (Foto: BBC)

Uma das grandes vantagens de muitos tipos de plástico é o fato de que são projetados para durar mais – por muitos e muitos anos.

Praticamente todo plástico já produzido continua existindo, mesmo que não esteja em seu formato original.

Em artigo publicado na revista acadêmica Science Advances, em julho, o pesquisador Roland Geyer, da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, estima em 8,3 bilhões de toneladas a quantidade de plástico já produzida no mundo.

Desse total, cerca de 6,3 bilhões de toneladas são classificadas como resíduos – e 79% estariam em aterros ou na natureza. Ou seja, pouco material é reciclado ou reaproveitado.

A grande quantidade de resíduos de plástico é resultado do estilo de vida moderno, em que o plástico é usado como matéria-prima para diversos itens descartáveis ou “de uso único”, como garrafas de bebida, fraldas, cotonetes e talheres.

Oceanos de plástico (Foto: BBC)

Oceanos de plástico (Foto: BBC)

4 bilhões de garrafas de plástico

Garrafas de bebida são um dos tipos mais comuns de resíduos de plástico.

Estima-se que 480 bilhões de garrafas tenham sido vendidas em todo o mundo até 2016 – o que representa 1 milhão de garrafas por minuto.

Somente a Coca-Cola foi responsável por produzir 110 bilhões de garrafas de plástico.

Um milhão de garrafas são compradas por minuto (Foto: BBC)

Um milhão de garrafas são compradas por minuto (Foto: BBC)

Alguns países têm discutido maneiras de diminuir o consumo do material. O Reino Unido, por exemplo, debate oferecer água potável de graça nas grandes cidades e criar unidades para devolução de plástico.

Que quantidade de plástico vai para o mar?

Calcula-se que 10 milhões de toneladas de plástico vão parar no mar todos os anos.

Em 2010, pesquisadores do Centro de Análises Ecológicas da Universidade da Georgia, nos Estados Unidos, contabilizaram 8 milhões de toneladas – e estimaram 9,1 milhões de toneladas para 2015.

O mesmo estudo, publicado na revista acadêmica Science em 2015, analisou 192 países com território à beira-mar que estão contribuindo para o lançamento de resíduos de plástico nos oceanos. E descobriu que 13 dos 20 principais responsáveis pela poluição marinha são nações asiáticas.

Enquanto a China está no topo da lista, os Estados Unidos aparecem na 20ª posição.

O Brasil ocupa, por sua vez, o 16º lugar do ranking, que leva em conta o tamanho da população vivendo em áreas costeiras, o total de resíduos gerados e o total de plástico jogado fora.

O lixo plástico costuma acumular em áreas do oceano onde os ventos provocam correntes circulares giratórias, capazes de sugar qualquer detrito flutuante. Há cinco correntes desse tipo no mundo, mas uma das mais famosas é a do Pacífico Norte.

O que pode acontecer com cotonetes (Foto: BBC)

O que pode acontecer com cotonetes (Foto: BBC)

Os detritos da costa dos Estados Unidos levam, em média, seis anos para atingir o centro dessa corrente. Já os do Japão podem demorar até um ano.

As cinco correntes apresentam normalmente uma concentração maior de resíduos de plástico do que outras partes do oceano. Elas promovem ainda um fenômeno conhecido como “sopa de plástico”, que faz com que pequenos fragmentos do material fiquem suspensos abaixo da superfície da água.

Além disso, a decomposição da maioria dos resíduos de plástico pode levar centenas de anos.

Existem, no entanto, iniciativas para limpar a corrente do Pacífico Norte. Uma operação liderada pela organização não-governamental Ocean Cleanup está prevista para começar em 2018.

Por que é prejudicial à vida marinha?

Para aves marinhas e animais de maior porte – como tartarugas, golfinhos e focas -, o perigo pode estar nas sacolas de plástico, nas quais acabam ficando presos. Esses animais também costumam confundir o plástico com comida.

Tartarugas não conseguem diferenciar, por exemplo, uma sacola de uma água-viva. Uma vez ingeridas, as sacolas de plástico podem causar obstrução interna e levar o animal à morte.

Pedaços maiores de plástico também causam danos ao sistema digestivo de aves e baleias – e são potencialmente fatais.

Com o tempo, os resíduos de plástico são degradados, dividindo-se em pequenos fragmentos. O processo, que é lento, também preocupa os cientistas.

Uma pesquisa da Universidade de Plymouth, na Inglaterra, mostrou que resíduos de plástico foram encontrados em um terço dos peixes capturados no Reino Unido, entre eles o bacalhau.

Além de resultar em desnutrição e fome para os peixes, os pesquisadores dizem que, ao consumir frutos do mar, os seres humanos podem estar se alimentando, por tabela, de fragmentos de plástico. E os efeitos disso ainda são desconhecidos.

Em 2016, a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar alertou para o crescente risco à saúde humana, dada a possibilidade de micropartículas de plástico estarem presentes nos tecidos dos peixes comercializados.

Fonte: BBC

A customs officer displays a counterfeit branded mobile phone at a rubbish dump site in Kunming, Yunnan province April 26, 2010. More than 13,000 confiscated counterfeit branded goods including mobile phones, bags and razors were destroyed during the campaign against piracy, local media reported. REUTERS/Stringer (CHINA - Tags: CRIME LAW BUSINESS) CHINA OUT. NO COMMERCIAL OR EDITORIAL SALES IN CHINA - RTXS625

Mundo produz 44,7 milhões de toneladas de lixo eletrônico, diz relatório

Um novo relatório sobre o lixo eletrônico descartado no mundo foi divulgado nesta quarta-feira (13) pela Universidade das Nações Unidas, parte da ONU, e a União Internacional de Telecomunicações. Foram 44,7 milhões de toneladas geradas em 2016 – um crescimento de 8% desde 2014.

Os equipamentos eletrônicos descartados – materiais com baterias, plugues, como televisões, paineis solares, celulares, computadores – pesam juntos cerca de nove grandes pirâmides Gizé ou, se preferir, 4,5 mil torres Eiffel. O lixo é suficiente para formar uma linha entre Nova York até Bangkok, ida e volta.

Até 2021, os especialistas preveem um aumento de 17% no descarte desses materiais, com 52,2 milhões de toneladas geradas. O “Global E-waste Monitor 2017″, relatório que divulga esses números, também diz que apenas apenas 20% dos resíduos eletrônicos de 2016 foram reciclados, mesmo que muitas vezes tenham metais recuperáveis e de alto valor, como ouro, prata, cobre, platina e paládio.

Cerca de 4% de todo esses materiais são conhecidos por serem jogados em aterros sanitários; 76% deles, ou 34,1 milhões de toneladas, provavelmente acabaram incinerados ou reciclados em operações informais, não necessariamente seguras, de acordo com o relatório.

Descarte por pessoa

O descarte per capita também apresenta uma tendência de crescimento.

Segundo o documento, a queda dos preços dos eletrônicos faz com que haja um consumo maior e, consequentemente, maior descarte dos dispositivos velhos.

Como resultado, o desperdício médio desses materiais por pessoa no mundo foi de 6,1 kg em 2016, um aumento de 5% em relação aos 5,8 kg de 2014.

Os países que mais geraram lixo eletrônico per capita foram a Austrália e a Nova Zelândia – cerca de 17 kg por habitantes. Taxa semelhante é vista em toda a Oceania.

A região da Europa, incluindo a Rússia, é a segunda maior geradora desses resíduos, com uma médica de 16,6 kg por pessoa. As Américas geram 11,6 kg per capita, enquanto a Ásia tem um descarte de 4,2 kg. Os países da África são os que menos produz lixo eletrônico por habitantes, com 1,9kg.

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Lenços umedecidos, a praga dos esgotos que infestou o litoral de Ibiza

Produto descartável entope estação de bombeamento e faz com que os resíduos acabem no mar

O pesadelo de lenços umedecidos chegou ao litoral de Ibiza. A enorme quantidade desse produto descartável jogada nos vasos sanitários na região de Cala de Bou, no município de Sant Josep, provocou entupimentos na estação de bombeamento de Caló de s’Oli. O lixo acumulado obstruiu o sistema de drenagem e os excrementos e milhares de lenços umedecidos acabaram no mar e nos rochedos da costa. O Governo das Ilhas Baleares manifestou sua impotência para administrar o problema e avisou que a única solução é não jogar os lenços no vaso sanitário.

O litoral apareceu cheio de lenços na manhã de quarta-feira, espalhados por uma área entre 200 e 300 metros. Ángel Luis Guerrero, secretário de Obras e Água e primeiro vice-prefeito do município, explicou ao Diario de Ibiza que, embora um desastre como esse não seja muito frequente, não é a primeira vez que acontece. Um morador da região confirmou ao jornal local que esses resíduos são vistos com frequência cada vez maior.

A estação de bombeamento de Caló de s’Oli, administrada pela Abaqua, manda o esgoto para a estação de tratamento de Sant Antoni. Quando uma das duas bombas da estação entope, o bombeamento falha, o sistema de drenagem transborda e a sujeira acaba no mar e nos rochedos do litoral. O problema não é a falta de bombas, mas o simples fato de que os lenços não se degradam na água.

Os trabalhadores de limpeza pública de Sant Josep se encarregaram desta vez de remover os lenços das rochas, serviço que normalmente é realizado pelos operários da Abaqua. Guerrero espera que a área esteja completamente limpa em alguns dias.

Os lenços umedecidos se tornaram um grave problema para as redes de esgoto da ilha. Cinco anos atrás, a empresa Aqualia reclamou que eram a principal causa dos problemas nas estações de bombeamento de águas residuais. A empresa continuou a fazer apelos aos cidadãos para que não jogassem esses resíduos no vaso sanitário, nem compressas, gazes, preservativos ou cotonetes, pois as fibras e tecidos com os quais são fabricados obstruem a tubulação. Segundo Guerrero, a única solução seria que as pessoas deixassem de jogá-las, já que não são biodegradáveis.

Ibiza não é o único lugar afetado pelo problema. Em outubro, a principal tubulação de esgoto de Valência foi bloqueada por um entupimento de um quilômetro de comprimento e mais de 1.000 toneladas de peso. Um mês antes, uma enorme bola com volume de 75 metros cúbicos e 100 metros de comprimento obstruiu um dos três grandes coletores que transportam águas residuais a San Sebastián.

Fonte: https://brasil.elpais.com/brasil/2017/11/23/internacional/1511452440_381067.html

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América Latina tem montanha de lixo para resolver, e você também.

Países da América Latina e Caribe geram cerca de 540 mil toneladas diariamente de resíduos, e quase um terço disso termina em lixões a céu aberto

A lei de Lavoisier sobre conservação das massas — “na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma” — enfrenta um inimigo indigesto no mundo atual: a acumulação de lixo, uma invenção humana que não para de crescer e se multiplicar. Na natureza não há lixo, já que ela própria se encarrega de transformar tudo que cria. No ambiente manipulado pelas mãos humanas, a um ritmo acelerado de extração, produção e descarte, com novos e problemáticos componentes surgindo a cada momento, a montanha de sujeira é inevitável, o que não significa que ela é aceitável ou deva ser tolerada.

A má gestão dos resíduos traz a reboque graves prejuízos sociais, econômicos e ambientais. Remexer e discutir as sobras do nosso estilo de vida é um desafio que convoca à ação governos, empresas e cidadãos. E estamos muito atrasados aí. Exemplo disso é a geração de resíduos sólidos urbanos nos países da América Latina e Caribe, que atinge cerca de 540 mil toneladas diariamente, podendo chegar a 671 mil toneladas até 2050. Os dados foram apresentados pela ONU Meio Ambiente em evento da Abrelpe realizado na cidade de São Paulo na tarde de terça-feira (21).

Lixões a céu aberto 

Digna de preocupação é a taxa de envio de resíduos para lixões a céu aberto, forma mais arcaica para destinação: 145 mil toneladas de resíduos (cerca de 30% do total coletado) acabam aí diariamente.

Materiais orgânicos, como sobra de alimentos, representam mais da metade de todo resíduo descartado nas cidades latino-americanas, índice que varia bastante de acordo com a renda do país, chegando a 75% nos mais pobres e a 36% nos mais ricos.

Outro achado preocupante: é comum encontrar no lixo doméstico resíduos descritos como perigosos, incluindo baterias, equipamentos elétricos e eletrônicos, remédios vencidos, entre outros. Dá para imaginar que, sem destinação correta, esses produtos representam uma carga indigesta para o meio ambiente, com potencial de contaminar solos, rios e até mesmo o ar.

Na mesma “caçamba” são encontrados ainda os chamados resíduos secos, como metais, papéis, papelão, plásticos, vidro e têxteis que, se fossem reciclados, poderiam gerar receita e evitar extração de mais matéria-prima virgem. As poucas iniciativas de reciclagem, que atingem 20% em determinadas regiões, são fruto em grande medida do suor e trabalho do setor informal – isso mesmo, graça aos catadores, tão marginalizados nos planos de gestão pública.

Responsabilidades compartilhadas

Em se tratando de responsabilidades, segundo o estudo da ONU, os níveis de investimento público e privado em gestão de resíduos não são suficientes para financiar a infraestrutura necessária para mitigar as principais deficiências, como ampliação da cobertura de coleta, baixas taxas de reciclagem e disposição final inadequada.

Mas não basta apenas injetar recursos no setor. É preciso reforçar os mecanismos de fiscalização. A ONU destaca que embora praticamente todos os países da América Latina e Caribe tenham normas legais para serem cumpridas pelas empresas geradoras e manipuladoras de resíduos, bem como penalidades por descumprimento, a aplicação da lei em geral é problemática. No Brasil, maior gerador de lixo na América Latina e terceiro maior do mundo, por exemplo, os lixões já deveriam ter sido encerrados em 2014, mas três anos depois, 1559 cidades (30% do total) ainda descartam o lixo dessa forma.

A solução dos problemas da geração massiva de resíduos não se resume a acabar com os lixões. É preciso atacar a causa e abraçar os três “erres”: reduzir, reutilizar e reciclar. Como fazer isso? Pensar de forma diferente o design de um produto para que ele possa, primeiro, ser reutilizado para novas funções, e, segundo, ser mais fácil de desmembrar no final da vida útil é um caminho.

Outra forma é questionar as decisões de compra, resumida na clássica frase: “eu preciso mesmo disso”? Não menos importante é combater o desperdício. Atualmente, mais de 30% de toda comida produzida no mundo vai parar no lixo, o que além de representar um desperdício de recursos, como terra, solo e água usados no cultivo, é no mínimo, imoral, num mundo onde quase um bilhão de pessoas passam fome.

A problemática dos resíduos como fonte de poluição faz parte de uma agenda mundial e está entre os tópicos mais importantes da 3ª Assembleia do Meio Ambiente da ONU, que acontecerá em Nairobi, no Quênia, de 4 a 6 de dezembro. Na ocasião, o novo relatório da ONU “Rumo a um planeta sem poluição”, do qual os dados acima são uma prévia, trará um panorama atual de todos os continentes, permitindo examinar o que sabemos sobre a poluição e traçar caminhos para enfrentá-la.

Fonte: https://exame.abril.com.br/mundo/america-latina-tem-montanha-de-lixo-para-resolver-e-voce-tambem/