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As tendências mundiais da transição para as energias renováveis

Com a recente entrada em vigor do Acordo de Paris, documento que sela um compromisso global de combate às mudanças climáticas,  deveremos testemunhar uma expansão sem precedentes de fontes de energias mais limpas e sustentáveis nas próximas décadas.

Um estudo do Instituto de Economia e Análise Financeira de Energia (IEEFA) mostra que a transição para as energias renováveis está acelerando, e a um ritmo mais rápido que o previsto. Quem ficar para trás enfrentará riscos financeiros cada vez maiores.

As transformações ocorridas no setor ao longo deste ano dão o tom do que se pode esperar, conforme o estudo 2016: Year in Review – Three Trends Highlighting the Accelerating Global Energy Market Transformation, que identifica as tendências em energia que marcaram o ano.

Com base em projeções recentes, o estudo afirma que o Brasil tem potencial para 880 GW de geração a partir de energia eólica. O país se beneficia dos recursos eólicos ao longo de seu extenso litoral, o que o coloca em quarto lugar mundial em termos de potencial para expandir a geração por essa fonte, atrás de Estados Unidos, China e Alemanha.

O relatório assinala ainda que “os enormes e subdesenvolvidos recursos solares do país” também têm potencial para dar um grande impulso às energias renováveis por aqui, especialmente com a realização do 2º Leilão de Energia de Reserva, que acontece em dezembro.

Segundo a Empresa de Pesquisa Energética, até agosto foram cadastrados 1.260 projetos no leilão, sendo 419 deles de fonte solar fotovoltaica e  841 de projetos eólicos. O início de suprimento dos contratos das duas fontes será em 1º de julho de 2019, com prazo de vinte anos.

Veja abaixo algumas tendências em renováveis que marcaram 2016, conforme a pesquisa.

A transição global para as energias renováveis está se acelerando 

Em 2016, mais países tiveram períodos nos quais 100% do consumo de eletricidade foi atendido pelas energias renováveis. O Reino Unido, berço da Revolução Industrial a carvão, por exemplo, registrou uma maior geração de eletricidade por painéis solares do que por carvão nos seis meses entre abril e setembro deste ano.

A Escócia foi ainda mais longe. Em 7 de agosto, seus ventos produziram eletricidade suficiente para alimentar todo o país. Portugal, por sua vez, foi inteiramento suprido por energia solar, eólica e hidroelétrica durante quatro dias no mês de maio.

Poucos dias depois, um evento semelhante na Alemanha levou os preços da eletricidade a cifras negativas em 15 de maio, com a energia limpa suprindo toda a necessidade energética do país.

Além desses avanços, o relatório destacou o imenso potencial do continente africano na revolução energética. Segundo o estudo, a África tem tudo para se tornar o primeiro continente onde a energia renovável será o principal motor do desenvolvimento.

Em grande medida, a expansão da energia solar tem passado ao largo da região, lar da maioria das nações menos desenvolvidas do mundo – mais de metade das 1,3 bilhão de pessoas sem acesso à eletricidade vivem lá. Isto apesar dos países africanos terem de 52% a 117% mais radiação solar que a líder dessa fonte de energia entre os países desenvolvidos, a Alemanha.

Mas isso deve mudar, segundo o relatório, com as melhorias tecnológicas, as reduções de custos e o crescente interesse em micro-redes. Pelas previsões da Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA), a África poderia ter 70GW de geração solar em vigor até 2030.

O ritmo da mudança é muito mais rápido do que o previsto

O relatório também aponta importantes mudanças em níveis institucionais que ajudam a gerar vantagens significativas para o desenvolvimento de novas fontes limpas.

O rápido crescimento do mercado dos chamados títulos verdes (ou green bonds) — títulos de dívida emitidos por empresas e instituições  financeiras para viabilizar projetos com impacto ambiental positivo — é uma indicação de que o capital privado está saindo dos combustíveis fósseis para a energia renovável.

Ser um líder em energias limpas agora pode ser aplicado como um modelo de negócio sustentável que proporciona retornos superiores aos acionistas. Tesla, BYD, Nextera Energia, Softbank, ENEL, China Longyuan e Brookfield Renewable Partners todos demonstram isso.

Ainda segundo a pesquisa, o consumo de petróleo poderá atingir o pico em 2030, com o crescimento exponencial e continuado dos veículos elétricos, eficiência energética e energia renovável.

Quem fica para trás enfrenta crescentes riscos financeiros

Ao contribuir para reduzir as taxas de utilização, as energias renováveis continuarão a comprometer a viabilidade da produção a carvão.  De acordo com o estudo, o consumo mundial de carvão está em declínio, tendo atingido um pico em 2013 e declinado em 2016 pelo terceiro ano consecutivo. Um crescimento da demanda abaixo do esperado, em conjunto com o aumento da oferta de gás natural, deverá golpear ainda mais forte esse mercado.

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Cientistas produzem petróleo a partir do esgoto

A tecnologia, chamada de liquefação hidrotérmica (HTL, na sigla em inglês), imita as condições geológicas que a Terra utiliza para criar petróleo bruto, usando altíssimas temperaturas e muita pressão. O processo consegue em minutos algo que a natureza leva milhões de anos para fazer.

Segundo os pesquisadores do Pacific Northwest National Laboratory (PNNL), associado ao Departamento de Energia dos EUA, o material resultante é semelhante ao petróleo bombeado do solo, com uma pequena quantidade de água e oxigênio misturado.

Esse óleo biocru, ou biopetróleo, pode ser então refinado para resultar em etanol, gasolina ou diesel. Além de produzir combustível útil, o processo poderia dar aos governos locais significativas economias de custos ao eliminar virtualmente a necessidade de tratamento, transporte e descarte de resíduos de esgoto.

“Há uma abundância de carbono em lodo de águas residuais municipais”, disse Corinne Drennan, responsável pela pesquisa de tecnologias de bioenergia no PNNL.

Potencial

As estações de tratamento de águas residuais nos EUA tratam aproximadamente 34 bilhões de litros de esgoto todos os dias. Esse montante poderia produzir o equivalente a cerca de 30 milhões de barris de petróleo por ano, de acordo com a pesquisa.

Uma avaliação independente feita pela Water Environment & Reuse Foundation (WE&RF) considera a tecnologia altamente disruptiva, por seu potencial para tratar sólidos de águas residuais.

Os pesquisadores da WE&RF observaram que o processo tem alta eficiência de conversão de carbono, com quase 60% do carbono disponível no lodo primário tornando-se biopetróleo.

A tecnologia foi licenciada para a empresa Genifuel Corporation, que agora trabalha com a empresa Metro Vancouver, em parceria com autoridades da terceira maior cidade do Canadá, a Colúmbia Britânica, para construir uma planta piloto, a um custo estimado de US$8 a US$ 9 milhões de dólares canadenses.

(Fonte: http://exame.abril.com.br/tecnologia/cientistas-produzem-petroleo-a-partir-do-esgoto/)

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Canadá deixará de utilizar carvão para eletricidade em 2030

Ao anunciar a medida, a ministra do Meio Ambiente do Canadá, Catherine McKenna, afirmou em entrevista coletiva que “a eliminação de carvão tradicional da mistura energética e sua substituição com tecnologias mais limpas, reduzirá de forma significativa” as emissões canadenses.

Catherine disse que a medida permitirá a redução das emissões em mais de 5 megatoneladas, o que equivale à eliminação de 1,3 milhão de automóveis.

Ao todo, 11% da energia elétrica gerada atualmente no Canadá é produzida por usinas de carvão, que são responsáveis por mais de 70% das emissões de gases causadores do efeito estufa do setor de geração de eletricidade e de 8% do total das emissões do país.

O setor elétrico afirma que 83% da energia gerada no país não emite esses nocivos gases.

O governo canadense anunciou que a eliminação das usinas de carvão será apoiada com verba do Canadian Infrastructure Bank, recém-criado pelo governo em Ottawa, mas o plano foi rejeitado hoje por uma das quatro províncias do país que ainda utilizam o carvão como base.

O primeiro-ministro da província de Saskatchewan, o conservador Brad Wall, disse que irá se opor a qualquer “tentativa de implantar um imposto ao carvão” na província.

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Apple cria robô para desmontar iPhones e ajudar na reciclagem de peças

A Apple revelou nesta segunda-feira, antes do anúncio do iPhone SE e da versão compacta do iPad Pro, um robô, chamado Liam, criado para desmontar iPhones fora de uso (danificados ou descartados pelos consumidores), com o intuito de reciclar e reutilizar alguns materiais internos importantes, feitos de alumínio, cobre, estanho, tungstênio, cobalto e até ouro e prata, de acordo com a Apple. A máquina consegue desmanchar o smartphone da companhia em apenas 11 segundos, separando cada peça do produto. O robô da empresa demorou quase três anos para ficar pronto.

O sistema tem 29 braços robóticos instalados como uma máquina industrial – bem parecida com as tecnologias de linhas de montagem. Cada um desses braços trabalha com uma peça diferente, podendo guardar os materiais retirados de forma organizada. Por enquanto, o robô funciona apenas na sede da Apple, em Cupertino, na Califórnia. Mas a empresa afirma que um segundo robô está sendo instalado em outra sede da Apple na Europa.

A vice-presidente de meio ambiente, políticas e iniciativas sociais da Apple, Lisa Jackson, disse que o sistema robótico deve impulsionar o setor a reciclar mais e que haverá uma necessidade de investimento neste tipo de tecnologia. “Precisamos de mais pesquisa e desenvolvimento se quisermos concretizar a ideia de uma economia circular dos eletrônicos”, disse. A Apple estima desmontar e reciclar cerca de 1,2 milhão de iPhones até o fim deste ano.

(fonte: http://veja.abril.com.br/tecnologia/apple-cria-robo-para-desmontar-iphones-e-ajudar-na-reciclagem-de-pecas/)