O preço do dano ambiental foi definido

Ao longo de um período de quase dois anos, encerrado em março, 11 funcionários da fabricante de cosméticos Natura, orientados por profissionais da consultoria PwC, mapearam e esmiuçaram 962 processos da extração de matérias-primas até a produção e distribuição dos mais de 2 500 produtos da empresa.

Nessa fase, o objetivo era reunir um volume significativo de informações que permitissem calcular, com o máximo de precisão, o impacto ambiental de cada uma dessas atividades.

Para mensurar os efeitos no meio ambiente dos 2,5 milhões de catálogos que chegam a cada 20 dias às mãos dos milhares de vendedoras da empresa no Brasil, foi preciso obter dados como o consumo de água da gráfica em que são impressos e o volume de gases de efeito estufa e de outros poluentes atmosféricos e hídricos liberados nesse processo, entre outros indicadores.

O levantamento serviu para que a Natura, pela primera vez, aferisse o valor — em dinheiro — do impacto provocado pela sua operação durante o ano de 2013. Resultado: um dano ambiental de 132 milhões de reais (numa extrapolação que considera o uso dos produtos pelos consumidores, essa conta sobe para 587 milhões de reais).

A companhia chegou a esse número ao estimar — e não há nada de trivial nessa conta — quanto suas intervenções na natureza prejudicam de diferentes maneiras o bem-estar da população e, em última instância, representam custos financeiros para a sociedade.

Os exemplos vão desde gastos com saúde decorrentes da poluição atmosférica e hídrica gerada pela empresa até a desvalorização imobiliária provocada na região em que há um lixão.

A Natura é a primeira empresa no Brasil e do setor de cosméticos no mundo a fazer essa conta e torná-la pública. Calcular a tal “pegada ambiental” não é mais novidade. O desafio, agora, é estimar um preço ao dano causado.

A Natura seguiu os passos da pioneira Puma, marca de artigos esportivos que fomentou o desenvolvimento da metodologia com a PwC e a Trucost, consultoria inglesa, e se dispôs a testá-la em 2011. Na época, os executivos da companhia fizeram o cálculo para toda a sua cadeia de produção e declararam ter provocado danos à natureza no valor de 145 milhões de euros por ano.

De lá para cá, o grupo francês Kering, ao qual a Puma pertence, passou a usar a metodologia internamente para calcular o impacto ambiental em dinheiro de toda a sua operação — 19 marcas esportivas e de luxo que incluem nomes como Gucci e Saint Laurent. No ano passado, os primeiros balanços do grupo, relativos aos anos de 2013 e 2014, foram divulgados e, em junho, o de 2015.

Este último documento revela que o grupo Kering, que fatura mais de 11 bilhões de euros, foi responsável por um dano ambiental de 811 milhões de euros.

Não há dados precisos sobre o número de empresas mundo afora que tenham divulgado o cálculo de seus impactos, mas especialistas afirmam que o grupo ainda é restrito e inclui nomes como o da farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk e da companhia de água britânica Yorkshire Water.

“A empresa deve se preocupar menos com o número absoluto e mais em ver onde, em sua operação, estão os principais impactos e definir ações para minimizá-los”, afirma Carlos Rossin, diretor da PwC. Por enquanto, alardear esse cálculo é antes de mais nada uma provocação. Os executivos dessas empresas defendem que a economia e o mercado devem valorizar e atribuir um preço ao chamado “capital natural”.

“Ao fazer essa conta, queremos estimular o desenvolvimento de uma nova economia, na qual o valor real dos produtos e dos serviços incorpore, de fato, os impactos que eles provocam em todas as dimensões”, afirma Guilherme Leal, um dos sócios fundadores da Natura.
Há 30 anos, a discussão de que a natureza e seus benefícios deveriam ser valorados se restringia ao meio acadêmico e a ambientalistas.

Em 1997, o pesquisador americano Robert Costanza, um dos mais respeitados especialistas no tema, calculou pela primeira vez o preço dos bens e serviços gratuitos que impulsionam a economia mundial: 33 trilhões de dólares. Entraram na conta 17 benefícios, como polinização de plantas, oferta de água e uso recreativo de cachoeiras e praias.

Em 2014, Costanza atualizou a cifra para 72 trilhões de dólares, número tão elevado que, na prática, acaba tendo pouca utilidade. Mas as empresas estão se mobilizando com propósitos palpáveis. Em junho, dezenas delas, como a Dow e a Coca-Cola, reuniram-se em Londres para o lançamento do Protocolo do Capital Natural, tutorial com princípios de capital natural aplicado aos negócios.

A ideia é fazer as empresas entenderem sua relação com os bens naturais e, quem sabe, estimulá-las a fazer a própria contabilidade. Ao tornar público o valor do impacto que geram, essas empresas não pretendem apenas instigar uma discussão teó­rica. O objetivo é usar os dados para gerir riscos e usá-los como referência para melhorar ao longo dos anos.

A Kering sabe hoje que 73% de seus danos ao meio ambiente ocorrem nas etapas de extração e de processamento das matérias-primas. Esses impactos são, em grande parte, mudanças negativas que a demanda por esses insumos desencadeiam em áreas de vegetação nativa em diferentes biomas.

O grupo consome toneladas de cashmere, lã produzida por uma espécie de cabra que vive, principalmente, nas estepes, uma vegetação rasteira comum nas regiões centrais da Ásia. Estimativas da consultoria Bain & Company revelam que os produtos desse material respondem por 6% dos 60 bilhões de euros que o mercado de roupas de luxo movimenta hoje.

O problema é que a demanda crescente de cashmere vem impulsionando um crescimento exagerado dos rebanhos, que têm colocado essas paisagens sob sério risco de desertificação. Além disso, alterações climáticas, como invernos ainda mais rigorosos, têm contribuído para o processo e afetado o desenvolvimento dos animais, o que prejudica a oferta de lã.

“Para garantir o insumo no futuro, estamos tentando influenciar a maneira como ele é produzido”, diz Michael Beutler, diretor de sustentabilidade do grupo Kering. Na Mongólia, a empresa trabalha com populações nômades para tornar suas práticas de criação de cabras menos nocivas ao meio ambiente e mais eficientes.

Emissões

Na Natura, o cálculo revelou que 55% dos impactos ambientais provocados pela empresa também acontecem nas etapas de extração, processamento e transporte das matérias-primas, e esses danos se traduzem, sobretudo, em emissões de gases causadores do efeito estufa.

Muitos dos insumos usados nos cosméticos são de origem vegetal e, por isso, menos intensivos sob a ótica das emissões, mas a empresa ainda é refém de uma série de matérias-primas sintéticas de origem fóssil. Por ora, os executivos da empresa ainda estão estudando o que fazer com os muitos dados que vieram à tona com o cálculo e se preparando para entregar a mesma conta relativa aos anos de 2014 e 2015.

O exercício matemático já revelou que, se ao longo dos últimos anos a Natura não tivesse conduzido vários esforços para reduzir sua pegada de carbono, com medidas como a adoção de plástico verde nas embalagens e de álcool orgânico nas fórmulas, o tamanho do estrago teria sido 24% maior — 164 milhões de reais. Não são números bonitos. Mas sem conhecer a realidade é impossível transformá-la.

 

(Fonte: http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/1118/noticias/o-dano-ambiental-agora-tem-preco-definido)

Cientistas desenvolveram embalagens feitas com proteína do leite

Muitos dos alimentos que encontramos no supermercado vêm embalados em plásticos. E apesar de ser possível reciclar boa parte dessas embalagens — algo que na prática não se concretiza, gerando um passivo ecológico crescente — alguns tipos, como as finas películas usadas para revestir alimentos, são mais difíceis de reciclar.

Atentos ao problema, um grupo de pesquisadores do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) desenvolveu uma película de embalagem feita a partir de proteínas do leite (a caseína) e que, ainda por cima, é comestível — menos para quem tem alergia ou se opõe ao consumo de derivados de animais, evidentemente.

A embalagem alternativa foi apresentada nesta semana durante a Reunião Nacional da Sociedade Americana de Química (ACS, na sigla em inglês). Segundo os pesquisadores, os filmes a base de proteínas são bloqueadores de oxigênio mais poderosos que o produto convencional, o que a ajudaria a prevenir a deterioração dos alimentos e evitar o desperdício durante a distribuição ao longo da cadeia alimentar.

Para tornar a embalagem mais resistente à umidade e temperaturas elevadas, os pesquisadores incorporaram pectina cítrica na mistura. Aditivos nutritivos como vitaminas e probióticos poderíam ser incluídos no futuro. Ela não tem muito gosto, dizem os pesquisadores, mas também poderiam ser adicionados aromas.

“As aplicações de revestimentos para este produto são infinitas”, diz Laetitia Bonnaillie, coautora do estudo. “Estamos testando aplicações em embalagens de alimentos comestíveis, a exemplo de palitos de queijo embalados individualmente”, explica.

Segundo a pesquisadora, o grupo trabalha, atualmente, na criação de amostras de filmes para uma pequena empresa no Texas. Mas o desenvolvimento dessa embalagem alternativa tem atraído o interesse de outras empresas também, e a expectativa dos pesquisadores é que a embalagem de caseína possa chegar às prateleiras dos mercados americanos dentro de três anos.

Coca Cola é a primeira a repor toda água, segundo lista “Fortune”

A fabricante de bebidas Coca-Cola é a primeira das 500 maiores companhias da lista “Fortune” em repor toda a água utilizada em seu volume global de vendas, informou a multinacional americana nesta segunda-feira.

A empresa devolveu à natureza e às comunidades 191,9 bilhões de litros de água através de diferentes projetos, o que equivale a 115% da água usada pela marca na produção de suas bebidas, segundo resultados validados pela auditora Deloitte e pela ONG The Nature Conservancy. A revista “Fortune” lista as 500 maiores corporações do mundo, conforme sua receita. A classificação é publicada anualmente.

A Coca-Cola ressaltou que alcançar esse objetivo, que estava previsto para 2020, foi possível graças a 248 projetos hídricos em comunidades de 71 países focados ao acesso à água potável, a proteção de bacias hidrográficas e a utilização de água para uso produtivo. A multinacional garantiu ter melhorado também a eficiência no uso de água em 2,5% entre 2014 e 2015.

O relatório foi divulgado em Estocolmo por ocasião da Semana Mundial da Água, evento realizado na capital da Suécia até a próxima sexta-feira e que reúne 3 mil especialistas de mais de 120 países.

Índice Dow Jones de sustentabilidade conta com 07 empresas Brasileiras

Sete empresas brasileiras integram a nova composição do Índice Dow Jones de Sustentabilidade (IDJS), que começa a valer no próximo dia 19. Nesta edição, o índice reúne 315 empresas de setores variados da indústria mudial.

O grupo seleto do Brasil é formado pelo Banco do BrasilItaú Unibanco Holding SAItaúsa, EmbraerFibria Celulose, Cielo e Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). 

 Para serem incluídas, elas passam por rigoroso processo seletivo, que analisa dados econômicos, desempenho ambiental e social, governança corporativa, gestão de risco, mitigação da mudança climática e práticas trabalhistas.

A seleção é conduzida pela RobecoSAM AG, empresa especializada em gestão de ativos e na oferta de produtos e serviços no campo de investimentos sustentáveis.

Venda de copos e pratos plásticos é proibida na França

A França tornou-se o primeiro país do mundo a proibir a venda de copos, taças, pratos, talheres e outros utensílios descartáveis de plástico.

A nova lei segue uma proibição total de sacolas plásticas aprovada em julho e é parte do projeto Transição Energética para o Crescimento Verde, um plano para tornar o país um dos líderes mundiais na adoção de práticas de redução de impacto ambiental e das emissões de gases de efeito estufa.

Aprovada no mês passado, a medida passará a valer integralmente em 2020, o que dá bastante tempo para os fabricantes e estabelecimentos comerciais, incluindo restaurantes e supermercados, se adequarem às novas regras.

Mas isso não significa o fim dos utensílios descartáveis. Segundo a nova lei, esses produtos deverão ser 50% constituídos por materiais de origem vegetal e serem biodegradáveis. Esses materiais incluem, em particular, amido de milho, amido de batata, fibras têxteis ou de celulose, ou de bambu. Cinco anos depois, em 2025, o conteúdo vai aumentar para 60%.

Com a investida, o país espera reduzir o impacto ambiental do plástico convencional, derivado de petróleo, que leva várias décadas para se decompor e é frequentemente associado a substâncias que podem ser tóxicas. Além disso, é esperada uma redução dos custos com energia para reciclagem dos utensílios descartáveis.

De acordo com a AFP, organizações ambientalistas elogiaram a lei francesa e esperam que ela sirva de exemplo para outros países, porém críticos argumentam que a proibição de produtos prejudica os consumidores e que as medidas francesas violam as regras da União Europeia sobre a livre circulação de mercadorias.

Estimativas apontam que 4,7 bilhões de utensílios plásticos foram descartados na França em 2015 apenas, e cerca de 17 bilhões de sacolas plásticas usadas anualmente em supermercados de todo o país.

(Fonte: http://exame.abril.com.br/mundo/noticias/franca-proibe-venda-de-copos-e-pratos-plasticos-descartaveis)

Empreendedores investem em cosméticos orgânicos

São Paulo – O mercado de produtos naturais e orgânicos não para de crescer no Brasil e já atende a públicos absolutamente exigentes. Puxando essa expansão está a crescente preocupação com a saúde e a sustentabilidade. A maior procura é por alimentos orgânicos, mas aos poucos os cosméticos certificados começam a fisgar os consumidores atentos e, também, empreendedores apaixonados.

Do sonho de aliar as práticas sustentáveis no campo com a tecnologia dos laboratórios nasceu a Souvie, marca de cosmético orgânica lançada em dezembro de 2015 pelos sócios Caroline Villar e Breno Bittencourt Jorge. Apesar de recém-nascida, a empresa tem uma longa história de gestação e investimento próprio — 30 milhões de reais ao longo de seis anos. Esses foram o valor e tempo necessários para realizar todos os testes de cultivos, desenvolver fornecedores, construir e certificar a fábrica e as matérias-primas, e treinar os funcionários, 15 ao todo.

As linhas de estreia atendem a um público exigente e delicado, as gestantes e bebês, e incluem sabonetes, shampoos, cremes e óleos hidratantes, com preços que variam de R$ 32,00 a R$ 107,00.  “Percebemos que o mercado de orgânicos não tem muita opção para gestante e recém-nascido no Brasil. É o nicho do nicho. Orgânico já é nicho, e grávidas também são”, diz Villar.

Em particular, a linha de estreia possui ingredientes seguros para a mãe e o bebê. “Não contém óleo mineral, silicones, corantes sintéticos e parabenos. Outro diferencial é que não contém fragrância respeitando o período olfativo sensível da gestante”, destaca a empreendedora. As próximas linhas da marca vão acompanhar as fases da vida do ser humano: criança, mulher, homem, e acima dos 40 anos.

Divulgação/ Souvie

(Fonte: http://exame.abril.com.br/pme/noticias/empreendedores-investem-30-milhoes-em-cosmeticos-organicos)

Futuro sustentável depende da conservação e do progresso

O planeta está em uma encruzilhada. Com esse mote, mais de 10 mil pessoas passaram dez dias em Honolulu, no Havaí, nos Estados Unidos, discutindo soluções para sair dela. Na madrugada de domingo (11), a diretora-geral da União Internacional pela Conservação da Natureza (IUCN), Inger Andersen, encerrou o congresso com otimismo: “Demos os primeiros passos para pegar a rota certa em direção a um futuro sustentável, em que natureza e progresso humano apoiem um ao outro”.

“Por ignorância, obstinação, complacência ou corrupção, continuamos a degradar os ecossistemas e os serviços que eles prestam, esgotando a biodiversidade e corroendo as relações bioculturais tradicionais. Uma abordagem alternativa é que a conservação da natureza e o progresso humano não são mutuamente exclusivos, mas podem ser parceiros essenciais para alcançar o desenvolvimento sustentável”, alerta o documento resultante da reunião.

Intitulado Navegando a Ilha Terra, o documento lista uma série de oportunidades para promover uma “cultura da conservação” que lide com as formas como as sociedades humanas estão mudando o mundo.

Os mais de 10 mil líderes de governos, da sociedade civil, de comunidades indígenas, religiosos e ligados a tradições espirituais e do setor privado definiram a agenda dos próximos quatro anos, quando ocorrerá o próximo congresso, e um caminho para implementar acordos históricos de 2015, como a definição dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável e o Acordo de Paris para o combate às mudanças climáticas.

Também foram adotadas mais de cem moções de apoio às mais diversas medidas de conservação. Elas pedem, por exemplo, urgência na proteção dos oceanos, ampliação das áreas marinhas protegidas e integração de soluções baseadas na natureza para combater as mudanças climáticas.

Diretamente relacionadas ao Brasil, foram aprovadas moções de apoio à criação do Santuário de Baleias do Atlântico Sul e de amparo à lista vermelha brasileira de espécies ameaçadas. Essa proposta é importante por causa das tentativas de tirar algumas espécies dessa lista, em especial peixes, por parte do Congresso brasileiro.

Comércio do marfim

Um dos pontos mais conflituosos foi a moção que pede o fechamento de mercados domésticos do marfim de elefante. Apesar de o comércio internacional ter sido banido em 1989, em decisão da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas (Cites), a matança continua ocorrendo, o que tem dizimado a espécie.

Um censo divulgado em agosto sobre o número de animais que vivem na savana africana estimou que a espécie sofreu uma redução de 30% entre 2007 e 2014 por causa da caça.

Alguns países, como Japão, Namíbia e África do Sul, apresentaram mais de uma dúzia de emendas que enfraqueciam os termos da moção, mas a maioria do congresso votou por sua aceitação na íntegra. Foi a última moção definida no evento.

O texto incentiva governos a encerrarem seus comércios domésticos, pelo fato de criarem oportunidades para a “lavagem” do marfim ilegal. A expectativa no congresso é de que a moção sirva como pressão na próxima reunião da Cites, que ocorrerá em Johannesburgo, na África do Sul, no fim do mês, para que lá seja estabelecida uma decisão com poder de lei.

Outras recomendações

Sobre os povos indígenas, o congresso adotou uma nova categoria de membros da IUCN para incorporar organizações de povos indígenas, como reconhecimento do papel dos índios na conservação da natureza.

Em relação a áreas proibidas, foi definida moção de apoio para que as áreas terrestres e marinhas protegidas fiquem fora dos limites de atividades industriais com potencial de dano, como mineração, petróleo e agricultura, e de projetos de infraestrutura.

O congresso também ressaltou a necessidade de identificar florestas intactas e ecossistemas críticos para ficarem resguardados da rápida expansão da indústria de óleo de palma. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

(Fonte: http://noticias.uol.com.br/meio-ambiente/ultimas-noticias/ag-estado/2016/09/12/futuro-sustentavel-vai-depender-da-parceria-entre-conservacao-e-progresso.htm)

Compatilibização da Resolução ANTT Nº 420 que regulamenta o transporte nacional terrestre de produtos perigosos

TEMA
 
Compatibilização da Resolução ANTT nº 420, de 12 de fevereiro de 2004, à 18ª edição do Orange Book
O QUE É?
Harmonizar a regulamentação nacional do transporte terrestre de produtos perigosos, garantindo, entre outros, a atualização das exigências e da Relação de Produtos com base na última edição do Livro Laranja da ONU
O QUE DEBATER?
O desenvolvimento tecnológico é constante e a Indústria Química acompanha essa evolução. Consequentemente, considerando tais avanços, o surgimento de novos produtos perigosos e as prescrições para o transporte já aplicadas internacionalmente para tais produtos, a legislação de Transporte Terrestre de Produtos Perigosos também precisa acompanhar o processo evolutivo, incorporando as prescrições e produtos já constantes nos demais países. Por isso, os novos produtos catalogados pela ONU precisam ser reconhecidos, o mais rapidamente possível, pela legislação brasileira.

RESULTADOS ESPERADOS
Manter a regulamentação nacional harmonizada com as prescrições já aplicadas internacionalmente, bem como a Relação de Produtos Perigosos, de forma a tornar a importação de produtos perigosos menos complicada.

Brasil ratifica acordo de clima em Paris

O Brasil se tornou nesta segunda-feira (12) o terceiro grande emissor de gases de efeito estufa a ratificar o Acordo de Paris –compromisso firmado em dezembro de 2015 entre mais de 180 nações durante encontro sobre clima na capital francesa. O documento, que prevê limitar o aumento da temperatura do planeta em até 2ºC (com esforços para deter o aumento em 1,5°C), foi assinado pelo presidente Michel Temer (PMDB), em cerimônia realizada no Palácio do Planalto. No início do mês, durante o encontro do G20, EUA e China anunciaram juntos a ratificação do texto.

Antes de ir à sanção presidencial, o texto passou pela Câmara dos Deputados e pelo Senado. Agora, os objetivos contidos no tratado passam a ser lei no país. Com o Acordo de Paris valendo como lei no Brasil, as metas climáticas brasileiras, conhecidas como INDC (Contribuição Nacionalmente Determinada Pretendida), deixam de ser apenas promessas e se tornam compromissos climáticos formais –a INDC perde o “i”, de “intended” (“pretendida”, em inglês), virando NDC.

Essas metas traçam objetivos globais, mas não detalham como eles serão alcançados. O ministério do Meio Ambiente anunciou hoje que será elaborada uma estratégia de implementação das metas, apontando os instrumentos de financiamento, e que o primeiro rascunho do plano deve ser apresentado na Conferência do Clima de Marrakech, em novembro deste ano.

Compromissos brasileiros

O objetivo do governo brasileiro é que a NDC seja implementada a partir de 2017. Ela prevê um corte de 37% nas emissões do país em 2025 em relação aos níveis de 2005. Para isso, o governo elencou uma série de políticas, como a restauração de 15 milhões de hectares de pastagens degradadas, o reflorestamento de 12 milhões de hectares e o fim do desmatamento ilegal na Amazônia até 2030. Há também compromissos com medidas nas áreas de transportes, indústria e energia – como expandir o uso de fontes renováveis de energia e aumentar a oferta de etanol.

Durante a cerimônia de ratificação, o ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, disse que as ações de mitigação do aquecimento global com as quais o Brasil se comprometeu devem ganhar centralidade nas políticas econômicas e de inclusão social. “É oportunidade para reorientarmos o projeto de desenvolvimento nacional se agirmos de maneira firme e ambiciosa”, disse.

O ministro prometeu que os compromissos brasileiros para o clima acontecerão junto com o crescimento econômico, o combate à pobreza, a geração de emprego de qualidade, inovação e investimento “verde” (iniciativas com baixa emissão de carbono), mas não deu detalhes sobre o plano de implementação, que envolveria preservação de áreas de proteção ambiental e parques nacionais, incentivo ao turismo ambiental comunitário nessas áreas e divulgação em tempo real de dados de desmatamento da Amazônia e do Cerrado.

Em seu discurso, o ministro das Relações Exteriores, José Serra, defendeu mais incentivos à produção de etanol e a exportação de alimentos pelo Brasil com a marca de “fruto da agricultura mais sustentável do mundo”.

Críticas e esperança

O secretário executivo do Observatório do Clima, Carlos Rittl, que estava na cerimônia como representante da sociedade civil, aproveitou para fazer críticas a políticas que distanciam o Brasil da meta. “Planeja-se termoelétricas a carvão enquanto outros países fecham as suas. Desrespeitam direitos dos povos indígenas e tradicionais. Reduz-se áreas de preservação”, afirmou. “A nossa única ponte para o futuro é do desenvolvimento limpo”, disse, em uma referência ao nome do programa de governo de Temer.

Rittl defendeu fontes de energia limpa, como eólica e solar, e criticou a meta de zerar o desmatamento ilegal “apenas na Amazônia e apenas em 2030”, dizendo que ela não é suficiente. Ele também criticou o fato de que uma parte muito pequena do crédito rural é destinada à agropecuária mais sustentável. “Saída da crise passa por escolhas certas e pela economia de baixo carbono”, completou.

Rittl, no entanto, vê a ratificação como um “excelente” sinal. “Esperamos, agora, que ela venha acompanhada da necessária reorientação da economia brasileira para que o Acordo de Paris se torne realidade”.

“O Brasil assume papel de protagonista na implementação do Acordo de Paris ao ser um dos primeiros entre os dez maiores emissores do mundo a ratificá-lo”, diz André Ferretti, coordenador-geral da ONG. “A mensagem é clara: não podemos esperar mais quatro anos para tornar o acordo realidade. Se quisermos evitar os piores impactos das mudanças climáticas, é preciso agir já”, completa.

Nos próximos dias, durante a Assembleia Geral da ONU, o secretário-geral Ban Ki-moon organizará um evento especial para os países depositarem seus instrumentos de ratificação.

Acordo ganha ratificações

Para passar a vigorar, o Acordo de Paris precisa das ratificações de 55 países, que respondam por pelo menos 55% das emissões globais de gases de efeito estufa.

O Brasil é um dos dez maiores emissores de carbono do planeta. Com os EUA (responsáveis por 17,89% das emissões), China (20,09%) e Brasil (2,48%), o acordo chega a 41,54% das emissões globais, de acordo com a conta oficial de emissões da Convenção do Clima.

Faltaria apenas os países da União Europeia (10,55% das emissões e 27 países) para chegar perto dos dois critérios (seriam 52 países e 52,09% das emissões).

A ratificação da UE deve ser mais lenta pelo número de países que precisam primeiro aprovar o acordo internamente.

Segundo a ONG Climate Analytics, caso países médios emissores, como Argentina, Canadá e Austrália, ratifiquem o Acordo em breve, como vêm declarando, o número de adesões chegaria a 57 países e 57,88% das emissões em 2016. Isso permitiria a entrada em vigor neste ano, quatro anos antes do prazo oficial, que é 2020.

(Fonte: http://noticias.uol.com.br/meio-ambiente/ultimas-noticias/redacao/2016/09/12/brasil-e-primeiro-grande-emissor-a-ratificar-acordo-do-clima-de-paris.htm)

Terra bateu recordes de calor em agosto

Parece notícia velha, mas aconteceu de novo. E vai continuar acontecendo enquanto o mundo não conseguir conter suas emissões de gases de efeito estufa. Pelo 11º mês consecutivo, a Terra bateu recordes históricos de calor no mês de agosto, conforme divulgou na quarta-feira (14), a agência espacial americana (Nasa).

É o agosto mais quente dos últimos 136 anos, seguindo uma tendência que vem se repetindo mês a mês, ano a ano, como um sinal inequívoco do aquecimento global provocado por ações dos seres humanos.

Em relação ao período de base (valor da temperatura média entre 1951 e 1980) para agosto, a temperatura média da Terra no mês passado foi 0,98°C mais quente. Foi ainda 0,16°C mais alta que o agosto mais quente registrado até então, o de 2014.

Desde outubro de 2015 que a temperatura vem quebrando recordes sucessivos no monitoramento que começou a ser feito em 1880. Mantendo o ritmo pelos próximos meses, 2016 deverá ser o novo ano mais quente da história, superando 2015, que, por sua vez, bateu 2014.

“Ressaltamos que as tendências de longo prazo são as mais importantes para a compreensão das mudanças em curso que estão afetando nosso planeta”, afirmou Gavin Schmidt, diretor do Instituto Goddard para Estudos Espaciais da Nasa.

São Paulo

E o calorão parece ter continuado pelo mês de setembro, ao menos se forem tomadas como exemplo as temperaturas registradas na capital paulista. Apesar de para esta quinta-feira (15), a previsão ser de clima ameno, a cidade vem passando por dias anormalmente quentes e secos.

Nasa

Gráfico mostra o aumento de temperatura em agosto durante anos

A madrugada de quarta-feira (14), foi a mais quente em São Paulo desde 20 de abril, com temperatura mínima de 21,9°C. O valor, apesar de não ser um recorde, supera em muito a média histórica de temperaturas mínimas na madrugada para o mês, que é de 14,8°C. A terça à tarde também já havia registrado as mais altas temperaturas desde o dia 18 de abril, com 32,4°C.

O calor vem acompanhado de secura. Na tarde de terça, a umidade relativa do ar foi muito baixa, em torno de 19% no começo da tarde. Valores nessa faixa vêm sendo registrados desde o fim de agosto.

A relações-públicas Solange Branco, 47, que sofre com rinite, conjuntivite e outras alergias, até de pele, conta que vem sofrendo muito nos últimos dias. Tanto que resolveu fugir para Rio na terça-feira. “Minha vida vira o caos no inverno. Tenho umidificador em casa e costumo controlar as alergias com homeopatia. Mas nesses dias secos, quando vem a crise, aí tenho de tomar anti-histamínico todos os dias.”

De acordo com previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), nesta quinta-feira a temperatura cai (fica entre 14°C e 23°C) e a umidade sobe para até 95%. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

(Fonte: http://noticias.uol.com.br/meio-ambiente/ultimas-noticias/ag-estado/2016/09/15/terra-bate-recorde-de-calor-pelo-11-mes-em-agosto.htm)